quarta-feira, 24 de junho de 2009

DESPEDIDA

No meu tempo de recepcionista de hotel, regularmente sentia dores nos ombros, nas costas e pescoço. Eram sete horas diárias em cima de um sapato de salto digitando, acabava comigo e me rendeu tendinite. O ponto não é esse. O ponto é que marquei uma massagem num espaço terapêutico que tinha costume de ir.
Chegando lá fui atendida pela "massagista-diretora" do lugar. Tive sorte. Oriental, mulher de meia idade, doce, gentil e mto sábia. Assim que colocou as mãos em mim espontaneamente começou a "ler" minha mão,minha aura, minha numerologia,perguntou sobre minha vida. Ela disse - sem eu ter dito nada antes sobre mim - muitas coisas que eram fato: sobre a coragem, sobre a área artística que me aguardaria após os 28 (já tinha dado no tarô, mas isso é papo pra outro post) e confiei nela. Contei que comecei a trabalhar no hotel como estagiária em 2004, fui efetivada e em 2006 - após terminar a faculdade de turismo - decidi fazer intercâmbio e saí do hotel. A Parte curiosa é que em 2007, voltei para o brasil e fui chamada de volta a trabalhar no mesmo hotel. Sendo que não era minha intenção! Estava em outro hotel e me caçaram lá. E De repente me via numa situação inesperada, convivendo novamente com o MESMO staff, os mesmos hóspedes que ainda lembravam de mim, e tendo a mesma rotina. POR QUE?
Ela me respondeu contando que os lugares tês seus "guardiões". Que eu ainda tinha que passar por situações naquele local. Eu não poderia sair do hotel da forma q tinha feito. Em todo lugar que eu entrasse ou saísse, é importante que eu peça "licença" para os guardiões do lugar.
Eu acredito demais em seres superiores e sei que não temos acesso à toda a realidade, portanto tudo fez sentido. E de fato tinham coisas a serem feitas no hotel para eu poder fazer minhas conclusões internas e definitivamente querer sair de lá.
Quando fui pra Alemanha em 2006 eu não queria (emocionalmente) ir. Tinha uma vida estável, um emprego estável e gostava muito de trabalhar lá. Foi sim uma ruptura necessária.

Ontem li numa reportagem antiga na revista da folha falando sobre os "espíritos das casas". A história é que os primeiros moradores do lugar estariam ainda lá, guardando a casa. A reportagem era sobre casarões antigos abandonados em SP.

Novamente me veio a história dos guardiões.
Estou de mudança. QUando peguei as chaves do apto novo a dona me entregou e disse saudosa "espero que vc seja tão feliz quanto eu fui neste apto". pensei "que assim seja". E Mentalmente imaginei os guardiões do novo apto e os pedi licença para entrar.
Tenho até dia 30.junho para sair da minha atual kitnete e entrar no outro.
Olho as paredes e refaço todo o filmes desses quase 5 anos aqui residente. Me lembro do primeiro dia. TInha acabado de ser contratada e consegui essa kitnete na rua de trás do hotel. Estava mto satisfeita pois trabalharia com o público - antes estagiava no back, na governança - e sim, SAÍ DE CASA. meu tão sonhado objetivo de morar só.
TIve a intuição de nunca voltaria para a casa de meus pais.
Eu, mala de roupas, um colchão no chão e o livro do jorge amado (Dona flor e seus 2 maridos) como companheiro. Não havia mais nada. nenhum móvel, nem tv, nem tel, nem a geladeira tinha chegado. E eu me senti a pessoa mais feliz do mundo!
Demorei para entender que casa tem q ser um lugar aconchegante, que tem q ter a cara da pessoa que ali mora. Os amigos entravam e comentavam "parece um flat". Aí fui entender como eu sou uma pessoa prática e racional. rs. Então comecei a comprar quadros pra tirar o branco das paredes.
A Sandra surpresa me disse "cadê suas plantas?". Me explicou que é importante ter plantas, que são seres vivos e renovam a energia do lugar (adoro pessoas esotéricas..rs). Logo comprei minha primeira planta e a segunda..e hoje já são 10. Tem bambu, cacto (que ganhei da Elaine:-) uma árvore da felicidade, melissa, lírios, alecrim, gardênia, hortelã, espada de são jorge e uma jibóia. Sim, elas mudam MUITO a energia do lugar. Me fazem muita cia tb. Não suportaria um cão ou gato dependentes de mim.
Depois peguei gosto pela cozinha, pela arrumação e limpeza, pelos incensos, pelo pôr-do-sol na janela, pelas janelas dos executivos dos prédios comerciais vizinhos..
Vieram festas, almoços, jantares, cafés e muitos MUITOS amigos. Nunca tive tanta oportunidade de me aproximar das pessoas! Morar só me deu toda a liberdade de receber quem eu bem entendesse. Depois da chegada do sofá-cama então..quantos amigos pós-balada aqui caíram! rs.
Até um fast-casamento entre essas paredes foi ensaiado. Quando trouxe minha ex-namorada pra morar aqui. Não é a toa que dizem que apaixonados perdem a razão. Como seria possível morarem 2 pessoas numa kitnete? (sandrinha que o diga!rs) um mês depois eu percebi o quanto eu preciso do MEU espaço. Nos separamos. Casamento agora só em casas separadas! rs.
o apto 609 já fez parte de minha história e me deixa infindáveis bons momentos, descobertas, paixões. Mas com certeza o que mais aprendi aqui foi sobre mim. Aprendi a ficar só, a me enxergar, ter que administrar meus humores, minha auto-crítica, minhas carências, minha paz e principalmente o valor da companhia de alguém justamente por passar a maior parte do tempo sozinha e calada. E que estar só pode ser a paz na terra quando fazemos as pazes conosco.

Agradeço aos guardiões aqui presentes pelo acolhimento, pela sabedoria aqui adquirida.

Espero que o próximo morador seja tão feliz quanto eu fui aqui!


2 comentários:

C. disse...

mas pq vc teve q mudar?

ah, fiz blog novo: http://pluralcomoouniverso.blogspot.com/

Luisa disse...

como é bom morar só
nossaaaa
nem me fala
e a gente aprende a valorizar muito mais as pessoas; muito mais. as amizades;
-
espero que vc aproveite bastante esse novo espaçooo meee.
mais perto de miiim. me visitaaa.
hahaha

beijo